A Verdade Silenciosa de Um Gesto Antigo
Não é um trovão, mas um silêncio que se instala. O momento em que a pessoa se dá conta de algo que sempre fez se parece com isso: uma quietude súbita no meio do ruído. A sensação de que o problema atual — o conflito, a angústia, a escolha — não é novo. É apenas a mesma estrutura interna, vestida com outra roupa. A paisagem mudou, as pessoas são outras, mas o gesto interior, a reação automática, a forma de se colocar ou de fugir, é assustadoramente familiar.
Nesse instante, as justificativas perdem a força.Não foi apenas o outro, o lugar ou a fase. Havia algo ali, em movimento, que viajou junto. Reconhecer esse fio que costura diferentes épocas da própria vida não é um ato de acusação, mas de clareza. É a primeira vez que se pode olhar para o mecanismo em vez de apenas sofrer suas consequências. É o ponto em que a repetição deixa de ser destino para se tornar um mapa.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 9 — O Que Não É Enfrentado Se Repete