Ver sem Lutar Contra o que Vemos

Os padrões internos são como rotas antigas, sulcos na terra da existência percorridos tantas vezes que os pés já não precisam de atenção para segui-los. A percepção silenciosa não exige que se abandone o caminho imediatamente, nem que se culpe por ainda caminhar por ele. Pede apenas que se sinta a textura do chão, o cansaço da repetição, o cenário que nunca muda. É um ato de clareza, não de confronto.

Nessa observação desarmada, compreende-se que muitos desses mecanismos não nasceram para nos ferir, mas talvez para nos proteger de uma dor antiga. Ver o padrão, portanto, não é encontrar um inimigo dentro de si. É apenas sentar à beira do caminho familiar e, pela primeira vez, notar que existem outras direções, mesmo que ainda não se saiba como caminhar por elas.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 19 — O Fim da Autossabotagem

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