Quando a Repetição Deixa de Ser Paisagem

Há um momento em que as narrativas de culpa e de isenção se esgotam, e o que resta é a percepção silenciosa de um mecanismo interno. Não se trata de um esforço para encontrar um culpado, mas do reconhecimento de que a reação a um novo evento segue um roteiro antigo. É a constatação sóbria de que, embora o cenário mude, o personagem que habitamos insiste em dizer as mesmas falas, sentir os mesmos medos, buscar as mesmas fugas.

Esse reconhecimento é a verdadeira semente da responsabilidade. Ele não promete poder para alterar o ciclo de imediato, mas oferece a clareza de não ser mais um ator inconsciente na própria peça. Observar a repetição sem interferir é o primeiro ato de separar-se dela. É nesse espaço que a consciência respira, percebendo que entre o estímulo da vida e a resposta automática, existe um ‘eu’ que pode, finalmente, apenas assistir.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 4 — A Responsabilidade É Poder

Compartilhe esta reflexão