O Gesto Repetido Que Esconde a Si Mesmo
Não é a decisão isolada de calar que revela a máscara, mas a observação do padrão. Existe uma coreografia interna, quase imperceptível, que aprendemos a executar para garantir a paz nos ambientes e a aceitação nos vínculos. Um pequeno ajuste aqui, uma palavra engolida ali. Sozinhos, esses movimentos parecem insignificantes, meras gentilezas. Mas quando a consciência se acende, ela não ilumina o ato, e sim a repetição. Ela mostra o mapa dos nossos recuos.
Perceber essa dança interna não é um chamado para parar a música, mas para finalmente escutá-la. É o instante em que, no meio do gesto de nos diminuirmos, um observador silencioso dentro de nós apenas nota: ‘eis o movimento, de novo’. Essa testemunha não julga, não acusa, não exige mudança. Ela apenas reconhece o hábito de se esconder. E nesse reconhecimento reside a primeira, e talvez mais fundamental, camada de clareza.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 18 — Amor Não Exige Máscara