A Arquitetura Interna da Fuga
Há uma arquitetura interna que organiza nossas evasões, um sistema de desvios que se aprimorou com o tempo. Ele não grita, não anuncia sua presença. Apenas oferece, com a calma de um conselheiro, as justificativas mais sensatas para cada passo que damos para longe do que nos chama por dentro. Veste o medo com as roupas da prudência, a inércia com o manto da paciência, e a recusa em sentir com a aparência de autocontrole. Tornamo-nos peritos em nossas próprias rotas de escape.
A consciência, quando alcança esse lugar, não chega com a intenção de demolir. Apenas acende uma luz. A percepção silenciosa desses padrões é o que nos revela o mapa de nosso território interior. Não se trata, inicialmente, de forçar um novo caminho, mas de finalmente compreender por que insistimos em percorrer o antigo. É nesse momento que a repetição deixa de ser um destino e passa a ser apenas uma trilha conhecida, que agora, com clareza, podemos escolher não seguir.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 8 — O Que Você Ainda Evita