A Anatomia do Peso que se Repete

Retornamos tantas vezes aos mesmos lugares internos, não por falta de vontade, mas por força de um hábito invisível. A repetição do peso, da reação desmedida, da culpa que se instala, opera em trilhos tão familiares que já não os questionamos. A consciência, neste volume, não convida à luta contra esses padrões. Convida, primeiro, a um ato mais sutil e profundo: o de apenas vê-los em funcionamento. Observar, sem a urgência de consertar, a precisa maquinaria interna que sustenta o que nos cansa.

Essa percepção silenciosa é o exercício. É notar a engrenagem girando sem se culpar por ela existir. Nessa testemunha ocular do próprio mecanismo, algo muda. Não porque se força uma leveza, mas porque, ao ver com clareza a anatomia do peso, um espaço se abre. Um instante de pausa entre o que acontece e a reação automática que se seguiria. E nesse mínimo espaço, a repetição deixa de ser o único destino possível.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 16 — Leveza É Prática

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