Sustentar o Olhar Sobre o Próprio Rosto

Perceber um padrão interno não é um evento ruidoso. É um silêncio que se instala, um reconhecimento sutil de um mecanismo que sempre operou sob a superfície. A mesma resposta, a mesma fuga, o mesmo peso que antes pareciam ser 'você', de repente se mostram como um roteiro antigo. Neste momento, a clareza não exige mudança imediata, mas um tipo raro de quietude: a força de sustentar o olhar sobre o que foi visto, sem a pressa de consertá-lo ou a tentação de negá-lo.

O impulso inicial pode ser o de agir ou o de recuar. Agir, para provar que a percepção terá um efeito prático. Recuar, para voltar ao conforto da ignorância. Ambos são movimentos de fuga da verdadeira tarefa deste momento: apenas permanecer. Permanecer com a incômoda lucidez de se ver repetindo o mesmo gesto, agora com a consciência de que é um gesto. É nesse espaço de observação desarmada, antes de qualquer decisão, que a verdade pode enfim respirar e o caminho para um movimento autêntico começa a se delinear.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 15 — Permanecer É Força

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