O roteiro que se repete sem plateia

Os padrões não anunciam sua chegada. Eles são o caminho de volta para casa, mesmo quando a casa já não abriga. São o gesto automático, a resposta ensaiada, a emoção que se instala com familiaridade. A percepção desses mecanismos internos raramente é um trovão; é, antes, um ruído de fundo que, de repente, se torna audível. Um silêncio que se quebra não por um grito, mas pela súbita consciência de uma melodia que sempre esteve lá, tocando em repetição nos bastidores da mente.

É nesse momento que a espera por permissão se revela. Olhar para o roteiro repetido é sentir o peso da clareza. A consciência não pede licença para iluminar o palco interno, mas a pessoa pode tentar adiar o espetáculo, esperando que alguém de fora valide o que foi visto. A verdade, porém, é que o padrão só perde sua força automática quando é observado sem a necessidade de um veredito externo, apenas com o reconhecimento silencioso de sua presença.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 21 — O Recomeço Não Espera Permissão

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