A Geometria Interna da Repetição
Muda-se o cenário, a geografia, os interlocutores, mas uma estranha familiaridade persiste. Não é a familiaridade do conforto, mas a do roteiro conhecido. É a percepção silenciosa de que, apesar da nova paisagem, o observador interno continua o mesmo, reagindo com os mesmos impulsos, tecendo as mesmas defesas, interpretando o mundo através das mesmas lentes.
Este ponto de reconhecimento não é uma sentença de fracasso, mas um limiar de consciência. É o momento em que se compreende que a estrutura não estava do lado de fora, nas circunstâncias, mas na arquitetura invisível que carregamos para cada novo começo. Nossos padrões são um lugar para onde sempre retornamos, até que possamos olhá-los sem a necessidade de fugir ou culpar; apenas de os reconhecer como parte do mapa que, até então, seguíamos sem notar.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 20 — A Resposta Sempre Foi Você