Quando a Resistência se Torna um Lugar

Existe um esforço sutil em manter ativas as mesmas narrativas internas sobre a realidade. São os argumentos que repisamos em silêncio contra o que já se apresentou como fato, as justificativas que se tornaram tão familiares quanto a própria respiração. Esse mecanismo de resistência, de tanto operar, vira cenário, um ruído de fundo ao qual nos habituamos a ponto de não mais notá-lo.

O olhar que se volta para dentro não busca, a princípio, uma solução, mas o reconhecimento desse movimento repetitivo. É a consciência que flagra a mente reencenando a mesma recusa, o mesmo apego, a mesma discussão estéril com o que já é. Observar este ciclo não o desfaz de imediato, mas altera a posição de quem observa. Deixamos de ser apenas o protagonista da nossa própria resistência para nos tornarmos também a testemunha silenciosa dela. E nesse espaço, algo pode começar a se mover.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 11 — Aceitar Cansa Menos Que Resistir

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