A incômoda assinatura nos velhos hábitos
Esse reconhecimento é desprovido de alarde. Não há um trovão, apenas uma clareza súbita e austera. Os cenários de repetição, antes atribuídos ao destino ou aos outros, revelam um arquiteto silencioso: nós mesmos. É o momento em que a paisagem interna deixa de ser um território desconhecido e passa a ser vista como um jardim, ou um deserto, que ajudamos a cultivar com as mesmas mãos, dia após dia.
A partir daí, a ignorância deixa de ser um refúgio. O autoengano, que antes operava de forma fluida, agora se torna um esforço consciente. Continuar no mesmo lugar passa a exigir uma energia que antes não era necessária, a energia de fingir não saber o que agora se sabe. A verdade interior, uma vez revelada, não promete conforto, mas torna a fuga uma opção insustentável.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 6 — A Decisão Que Liberta