A arquitetura silenciosa da repetição

Esse instante não tem som. É uma clareza que assenta no corpo, revelando o fio que conecta decisões, reações e fugas antes vistas como isoladas. Aquilo que era atribuído ao acaso ou à conduta alheia ganha uma nova autoria: a nossa. Não uma autoria de culpa, mas de mecanismo. Uma forma de ser, uma defesa antiga ou uma necessidade não admitida que operou por anos sob a superfície da consciência, ditando respostas que pareciam espontâneas.

A paisagem do passado não muda, mas o nosso lugar nela, sim. As histórias tantas vezes contadas sobre os outros perdem o protagonismo, pois agora enxergamos o nosso próprio roteiro invisível sendo executado em cada cena. É um confronto solitário, onde o conforto da justificativa externa se desfaz e dá lugar à observação de uma verdade interna. Perceber a repetição não é um ponto de chegada, mas o início de uma pergunta honesta sobre o que, afinal, temos buscado ou evitado com tanta constância.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 10 — O Início do Confronto Interno

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