O Ritmo Interno da Evitação

Não se trata de um alarme ruidoso, mas de uma cadência conhecida. Uma sequência de passos internos que sutilmente nos desvia de uma conversa, de uma decisão, de uma verdade que aguarda. Esse movimento se torna tão habitual que o confundimos com nossa própria natureza. É a nossa maneira de funcionar, dizemos a nós mesmos, sem perceber que é apenas a maneira de contornar aquilo que tememos. Perceber esse ritmo não é um ato de acusação, mas de clareza.

Nessa dança silenciosa, os mesmos cenários se repetem sob novas aparências. A mesma hesitação, a mesma justificativa, a mesma sensação de alívio temporário. A consciência não surge para interromper essa música, mas para nos permitir ouvi-la sem julgamento. Ao reconhecer a melodia da fuga, sem a urgência de mudá-la ou a culpa por dançá-la, algo essencial acontece: o padrão deixa de ser um piloto automático invisível e se torna apenas um velho hábito, observado.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 8 — O Que Você Ainda Evita

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