O Fio Invisível que Conecta os Atos

Essa percepção raramente chega como um trovão. É mais como uma luz que se acende lentamente num cômodo esquecido, revelando a poeira sobre os mesmos móveis, apenas rearranjados. Descobre-se que a geografia da alma não mudou com a troca de endereço. As reações automáticas, as defesas silenciosas e os lugares internos para onde fugimos continuam sendo os mesmos, fiéis a um roteiro que acreditávamos ter deixado para trás.

Observar esse mecanismo não é um ato de culpa, mas de clareza. É o momento em que se para de lutar contra o cenário e se começa a ler a própria assinatura nos eventos da vida. Antes de qualquer recomeço externo, existe esse encontro silencioso com a estrutura que nos sustenta e, por vezes, nos aprisiona. É nesse reconhecimento, sem alarde e sem promessas, que a consciência encontra um lugar para respirar.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 1 — O Começo É Interno

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