O Desenho que se Refaz Sozinho

As explicações sobre o mundo podem estar bem organizadas, as responsabilidades alheias podem parecer claras, mas algo insiste em não se encaixar. É um eco. Uma sensação que retorna, um modo de reagir que se apresenta novamente, vestindo apenas uma nova roupagem circunstancial. A consciência desse padrão não chega como uma conclusão lógica; ela emerge como um incômodo sutil, a intuição de que a cena é diferente, mas o roteiro interno é o mesmo.

Observar esse mecanismo se repetindo não é um chamado à culpa ou à autocrítica feroz. É, antes, o primeiro vislumbre de uma verdade mais profunda: a de que carregamos estruturas que operam por conta própria, à margem da nossa narrativa consciente. Reconhecer esse desenho que se refaz sozinho é apenas o começo de um olhar que não busca mais culpados, nem fora, nem dentro. Ele busca apenas ver, com a clareza possível, aquilo que é.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 10 — O Início do Confronto Interno

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