A Testemunha Silenciosa do Próprio Hábito

Existem geografias internas que percorremos todos os dias sem notar. Ciclos de pensamento, reações automáticas, a forma como nos encolhemos diante da culpa ou buscamos validação antes de admitir uma verdade. Esses são os padrões, as respirações da nossa estrutura interna. Por muito tempo, eles não são vistos, apenas vividos. A consciência confunde-se com eles. O recomeço não é o ato de destruir esse mapa, mas o instante sutil em que nos tornamos capazes de observá-lo sem nos movermos por ele cegamente.

Nesse momento, a espera por permissão revela-se como um desses mecanismos. É um hábito da alma, um movimento aprendido para adiar o desconforto de uma clareza que já despontou. Ao perceber esse padrão — a busca incessante por um aval que talvez nunca chegue —, algo fundamental se altera. O padrão pode até continuar seu movimento por inércia, mas já não somos inteiramente ele. Somos também a testemunha que o observa. E essa percepção, silenciosa e desprovida de plateia, é a única autorização de que a consciência realmente necessita para existir.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 21 — O Recomeço Não Espera Permissão

Compartilhe esta reflexão