O pensamento em círculos é o ensaio da permanência.

Confundimos, muitas vezes, a agitação da mente com o movimento da vida. Acreditar que a ruminação é uma forma de elaboração é um dos enganos mais sutis do sofrimento. O pensamento que se dobra sobre si mesmo, repetindo cenários e revivendo mágoas sem apontar para uma nova postura, não é reflexão; é ensaio. Ensaia-se a dor, a paralisia, a permanência no estado que nos aflige.

Estar consciente desse padrão é o primeiro vislumbre de lucidez. A mente, em seu modo de autopreservação distorcida, prefere o desconforto familiar de um problema conhecido à vastidão incerta de uma solução. Ela cria um labirinto onde caminhar em círculos oferece a ilusão de estar em algum lugar, quando, na verdade, se está apenas aprofundando o sulco do mesmo ponto no chão.

A verdadeira reflexão é como a água que encontra seu curso: movimenta-se, contorna, penetra e, por fim, segue. O pensamento estagnado é como a água parada: apodrece. A ausência de uma ação — por menor que seja, mesmo que a ação seja a de conscientemente silenciar — é a autorização que damos para que a dor de ontem se torne a de amanhã.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 3 — A Ilusão da Culpa

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