A Força de Ser Testemunha de Si
Quando a consciência ilumina um padrão, ele não desaparece. Pelo contrário, por um tempo, parece ganhar mais vida, pois agora o observamos em movimento. A força de permanecer não reside em ter o poder de paralisar o mecanismo instantaneamente, mas na capacidade de sustentar o olhar sobre ele. É como assistir a uma peça cujo roteiro você acaba de descobrir ser seu. Você vê a deixa, ouve a fala familiar, antecipa o gesto que está por vir. Você ainda está no palco, mas, pela primeira vez, também está na plateia.
Essa posição de testemunha é desconfortável. Ela revela a distância entre o que se percebe e o que ainda se faz. Não há pressa em destruir o cenário; há apenas a quieta resolução de não fechar mais os olhos. Permanecer é dar espaço para que a verdade vista respire, para que ela se acomode dentro de nós, não como uma acusação, mas como uma presença lúcida. É nesse silêncio, nesse ato de não-fuga, que a repetição automática começa a perder sua força invisível.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 15 — Permanecer É Força