A Arquitetura Silenciosa de Nossas Repetições

Observar os próprios padrões é como perceber, pela primeira vez, o roteiro que se encenava no escuro. As mesmas reações, os argumentos que retornam com outras palavras, o recuo familiar diante do que é novo. Não se trata de uma autocrítica ou de uma nova culpa, mas de um distanciamento silencioso. A consciência apenas ilumina o mecanismo, sem prometer consertá-lo. O movimento que antes era apenas vivido, orgânico, agora se revela uma arquitetura previsível.

Nesse instante de clareza, a narrativa de si mesmo sofre uma fissura. As desculpas perdem a solidez, as fugas ganham nome. A pessoa pode continuar a repetir o gesto, mas já não o faz com a mesma inocência. Existe agora um observador interno que sabe, que testemunha o hábito em movimento. E é esse saber, essa percepção que não se apaga, a verdadeira semente do que pode, um dia, vir a ser diferente. A mudança não está na parada do gesto, mas no fim da cegueira sobre ele.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 17 — A Verdade Que Ninguém Vê

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