A Arquitetura Invisível do Nosso Desgaste

Não é um trovão, mas um silêncio que se instala. Nele, percebe-se pela primeira vez o fio invisível que conecta décadas de esforço. O padrão de reorganizar mentalmente o que já foi, de ensaiar diálogos que nunca acontecerão, de sustentar uma versão da realidade que existe apenas por dentro. A consciência não surge como uma ordem de mudança, mas como um mapa que se revela: o traçado exato do mecanismo que consome a vitalidade em uma guerra particular e secreta.

Enxergar esse automatismo é um tipo estranho de despertar. Não há culpa, apenas a clareza amarga do quanto se trabalhou em vão. A energia gasta não para alterar o fato, mas para lutar contra o seu registro na memória. A constatação de que o maior peso não vinha dos acontecimentos, mas do esforço contínuo para não lhes dar o seu lugar. Descobre-se que a resistência era um trabalho em tempo integral, sem que soubéssemos que éramos nós mesmos os contratantes.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 11 — Aceitar Cansa Menos Que Resistir

Compartilhe esta reflexão