O contrato silencioso com o conhecido

Em algum ponto após uma ferida profunda, firmamos um pacto não verbal com a segurança. A dor, em seu papel de conselheira, nos oferece um contrato: em troca de nunca mais sentir aquele tipo específico de sofrimento, devemos renunciar ao território do desconhecido. Aceitamos, pois a memória da dor é vívida e a promessa de paz, ainda que uma paz estéril, é sedutora. Entregamos o direito de explorar em troca do conforto de um mapa restrito e previsível.

Este contrato nos governa de maneira invisível. Cada 'não' que dizemos a um convite, a um novo projeto ou a uma conexão promissora não parece uma escolha governada pelo medo, mas uma decisão sensata, alinhada aos termos do nosso acordo de autopreservação. O problema é que não lemos as cláusulas menores: o desconhecido que abdicamos não continha apenas o risco da dor, mas também a possibilidade da alegria inesperada, do crescimento genuíno e do vínculo transformador.

A responsabilidade adulta emerge no momento em que decidimos revisar os termos deste antigo acordo. É o ato de trazer o contrato para a luz da consciência e questionar seu preço. É reconhecer que, embora a segurança tenha seu valor, a vida se manifesta no movimento, no risco calculado, na abertura. Romper o pacto não é buscar o sofrimento, mas reivindicar a liberdade de navegar tanto as águas calmas quanto as agitadas, ciente de que a única forma de chegar a novas margens é soltando-se do porto seguro.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 5 — Dor Não É Identidade

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