A Dor da Renúncia
Renunciar não é apenas perder. Renunciar é reconhecer a realidade. Tempo é limitado. Energia é limitada. Atenção é limitada. Capacidade emocional é limitada. Presença é limitada. A vida não permite sustentar tudo ao mesmo tempo com a mesma profundidade. Por isso, cada decisão importante traz algum tipo de renúncia. Às vezes, a renúncia é visível. Uma relação que precisa mudar de lugar. Um projeto que precisa ser deixado. Um compromisso que não cabe mais. Uma rota que não será seguida. Às vezes, a renúncia é interna. Uma imagem antiga de si. Uma expectativa de agradar a todos. Uma necessidade de controle. Uma fantasia de que tudo poderia ser perfeito. Uma versão da vida que existiu apenas no campo da possibilidade. Essa renúncia pode doer mesmo quando a decisão é correta. Isso precisa ser compreendido. A dor não prova que a escolha está errada. Muitas vezes, prova apenas que algo importante está sendo deixado.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 4 — Decisão Também Dói