Relações Baseadas em Carência
Há relações que se formam mais pela carência do que pela escolha. A pessoa não se aproxima porque escolheu com clareza. Aproxima-se porque precisa preencher algo. Precisa se sentir vista. Precisa se sentir validada. Precisa se sentir segura. Precisa escapar da solidão. Precisa confirmar que tem valor. Precisa de alguém para organizar uma instabilidade que ainda não aprendeu a organizar dentro de si. Esse tipo de vínculo pode parecer forte no começo. Pode parecer intenso. Pode parecer profundo. Pode parecer indispensável. Mas intensidade nem sempre é consciência. Às vezes, é apenas necessidade emocional muito alta. A carência tem pressa. Quer resposta. Quer presença constante. Quer confirmação. Quer sinais. Quer garantias. Quer evitar qualquer possibilidade de perda. Quando uma relação nasce principalmente desse lugar, o outro deixa de ser apenas uma pessoa. Passa a carregar uma função. A função de acalmar inseguranças. A função de validar identidade. A função de afastar medo. A função de preencher vazios. A função de sustentar uma estabilidade que ainda está frágil. Esse peso é grande demais para qualquer relação. Porque o outro não deveria ser responsável por resolver tudo aquilo que ainda precisa ser assumido internamente.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 18 — Relacionamentos Conscientes