A Escolha que Move a Vida
em silêncio.
Algumas mudam caminhos externos.
Outras mudam apenas a posição interna da pessoa diante da própria história.
Mas nenhuma vida ganha direção sem alguma forma de escolha.
O Volume I mostrou que a consciência desperta.
Agora, o Volume II começa a mostrar que a escolha move.
Ela tira a pessoa da observação permanente.
Tira da análise infinita.
Tira da expectativa de que alguém decida por ela.
Tira da ideia de que tudo pode continuar em aberto até que não haja mais risco.
A escolha move porque define um ponto de partida.
Mesmo que ainda exista medo.
Mesmo que ainda exista dúvida.
Mesmo que a renúncia doa.
Mesmo que nem todos compreendam.
A escolha diz:
Este caminho, agora, merece minha atenção.
Esta direção, agora, faz mais sentido.
Esta indefinição, agora, precisa ser encerrada.
Esta postura, agora, precisa ser assumida.
Não é preciso transformar essa escolha em promessa grandiosa.
Não é preciso declarar que tudo está resolvido.
Não é preciso prever todo o futuro.
A escolha apenas inicia um movimento responsável.
E esse movimento já muda algo.
Porque a vida deixa de ser apenas campo de possibilidades e começa a ganhar contorno.
A pessoa sai do lugar de quem espera a clareza perfeita e entra no lugar de quem reconhece a clareza possível.
Ela para de exigir certeza absoluta e começa a trabalhar com honestidade suficiente.
Essa honestidade é uma forma de maturidade.
Porque decidir não é negar a complexidade.
É escolher mesmo reconhecendo que ela existe.
Decisão também dói porque a vida real não cabe em garantias completas.
Mas, sem decisão, a vida fica presa em hipótese.
E hipótese não constrói direção.
A direção começa quando a pessoa aceita o risco de escolher.
Não um risco irresponsável.
Mas o risco inevitável de viver.
Porque viver é escolher.
E escolher é aceitar que nem tudo permanecerá como possibilidade.
A
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 4 — Decisão Também Dói