Mas, mesmo depois de tudo isso, ainda pode existir uma camad
Mas, mesmo depois de tudo isso, ainda pode existir uma camada mais silenciosa.
Aquilo que a pessoa evita olhar.
Nem tudo que precisa ser visto aparece de imediato.
Algumas verdades ficam nas bordas da consciência.
A pessoa sente que algo está ali.
Sabe que existe um assunto pendente.
Uma conversa interna.
Uma lembrança.
Um medo.
Uma decisão adiada.
Uma dor não nomeada.
Um limite não reconhecido.
Mas contorna.
Desvia.
Muda de assunto por dentro.
Finge que ainda não é hora.
Chama de prudência aquilo que talvez seja medo.
Chama de paciência aquilo que talvez seja fuga.
Chama de controle aquilo que talvez seja evitação.
É aqui que começa o aprofundamento do olhar.
Não basta perceber apenas o que está evidente.
A consciência precisa, aos poucos, alcançar também aquilo que foi mantido distante.
Porque o que é evitado não desaparece.
Apenas passa a agir de forma silenciosa.
Uma verdade evitada continua influenciando atitudes.
Uma conversa evitada continua pesando nas relações.
Uma dor evitada continua aparecendo em reações desproporcionais.
Um medo evitado continua conduzindo comportamentos sob aparência de cautela.
Uma responsabilidade evitada continua cobrando presença por dentro.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 8 — O Que Você Ainda Evita