A Tentação de Voltar Atrás
Toda mudança produz desconforto.
Toda transformação exige adaptação.
Todo novo caminho pede algum tipo de reorganização interior.
Por isso, em algum momento, surge uma tentação comum.
A tentação de voltar atrás.
Voltar para aquilo que era conhecido.
Voltar para aquilo que parecia mais fácil.
Voltar para padrões antigos.
Voltar para comportamentos familiares.
Voltar para uma versão de si mesmo que já não exigia tanto esforço.
Mesmo quando essa versão produzia sofrimento.
Mesmo quando aquele padrão já havia se mostrado limitado.
Mesmo quando o antigo caminho já não combinava com a identidade que está sendo construída.
A mente humana costuma encontrar segurança na familiaridade.
Mesmo quando essa familiaridade não produz crescimento.
O conhecido parece seguro porque já foi experimentado.
O novo parece ameaçador porque ainda está sendo construído.
Por isso, quando a mudança começa a exigir constância, muitas pessoas sentem vontade de retornar.
Não exatamente porque desejam o passado.
Mas porque o passado parece menos exigente do que a construção de algo novo.
A evolução interior exige consciência sobre esse mecanismo.
Exige perceber que sentir vontade de desistir não significa necessariamente que você deve desistir.
Sentir dúvida não significa necessariamente que está errado.
Sentir desconforto não significa necessariamente que está fracassando.
Muitas vezes, significa apenas que está atravessando uma fase de adaptação.
Extraído de
Volume III — Evolução Interior
Capítulo 12 — A Coragem de Permanecer no Caminho