Muitas pessoas resistem à aceitação porque confundem aceitar
Muitas pessoas resistem à aceitação porque confundem aceitar com concordar.
Essa confusão cria medo.
A pessoa pensa que, se aceitar algo, estará dizendo que aquilo foi justo.
Pensa que aceitar significa aprovar o que aconteceu.
Pensa que aceitar significa diminuir a dor.
Pensa que aceitar significa inocentar alguém.
Pensa que aceitar significa abrir mão da própria verdade.
Mas aceitar não é concordar.
Aceitar é reconhecer que algo aconteceu.
Concordar é aprovar.
São movimentos diferentes.
Você pode aceitar que uma situação existiu sem concordar com ela.
Pode aceitar que algo terminou sem achar que foi fácil.
Pode aceitar que alguém agiu de determinada forma sem considerar aquilo correto.
Pode aceitar uma perda sem deixar de reconhecer o quanto ela doeu.
Pode aceitar um fato sem chamar esse fato de justo.
Essa diferença é essencial.
Porque, quando a pessoa não entende isso, permanece resistindo para preservar a própria dignidade.
Ela pensa:
se eu aceitar, estarei dizendo que tudo bem.
Mas aceitar não diz “tudo bem”.
Aceitar diz:
isso é real.
E existe uma grande diferença entre dizer “isso foi correto” e dizer “isso aconteceu”.
A consciência precisa dessa distinção.
Porque negar a realidade não protege a dignidade.
Apenas prolonga o conflito interno.
A pessoa pode passar muito tempo tentando provar para si mesma que algo não deveria ter acontecido.
E talvez realmente não devesse.
Mas o fato de algo não dever ter acontecido não muda o fato de que aconteceu.
Essa é uma verdade difícil.
Mas necessária.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 11 — Aceitar Cansa Menos Que Resistir