Existe uma mudança que começa antes de qualquer pessoa perce
Existe uma mudança que começa antes de qualquer pessoa perceber.
Ela não aparece primeiro em grandes atitudes.
Não vem acompanhada de anúncio.
Não se apresenta como discurso.
Não precisa ser explicada imediatamente.
Ela começa em um lugar mais silencioso:
dentro da consciência.
A pessoa olha para algo e percebe que já não consegue enxergar da mesma forma.
Um peso deixa de parecer natural.
Uma justificativa perde força.
Uma culpa começa a ser questionada.
Uma espera começa a parecer adiamento.
Uma reação antiga começa a ser vista como padrão.
Uma situação que antes parecia normal começa a incomodar por outro motivo.
Talvez ninguém veja isso.
Ninguém vê quando uma frase interna perde sentido.
Ninguém vê quando uma desculpa antiga já não convence.
Ninguém vê quando uma pessoa percebe que está carregando algo que talvez não fosse seu.
Ninguém vê quando a consciência começa a separar fato de narrativa, cuidado de absorção, responsabilidade de culpa, prudência de medo.
Essa é a verdade que ninguém vê.
Não é ainda a transformação consolidada.
Não é ainda uma postura plenamente sustentada.
Não é ainda uma vida reorganizada de fora para dentro.
No Volume I, essa verdade é mais inicial e mais profunda:
é aquilo que a pessoa já percebeu dentro de si, mesmo que ainda não tenha conseguido mostrar ao mundo.
A mudança mais profunda acontece sem plateia porque a plateia, muitas vezes, só percebe o que aparece depois.
As pessoas veem atitudes, decisões, limites, palavras, silêncios.
Mas quase nunca veem o instante anterior:
o momento em que uma consciência começou a não aceitar mais a mesma ilusão.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 17 — A Verdade Que Ninguém Vê