A Busca por Validação
no próprio valor quando o ambiente devolve reconhecimento.
Nesse ponto, a vida emocional começa a depender demais do lado de fora.
E tudo que depende demais do lado de fora fica instável.
Porque o olhar dos outros muda.
As opiniões mudam.
Os vínculos mudam.
Os humores mudam.
As expectativas mudam.
As interpretações mudam.
Se sua estabilidade estiver apoiada inteiramente nisso, ela também oscilará o tempo todo.
Um elogio levanta.
Uma crítica derruba.
Uma resposta fria gera insegurança.
Um silêncio vira ameaça.
Uma discordância parece rejeição.
Uma desaprovação faz a pessoa duvidar de tudo que havia compreendido.
Esse é o peso da validação excessiva.
Ela coloca nas mãos dos outros uma parte grande demais da sua relação consigo mesmo.
A pessoa passa a viver perguntando, ainda que em silêncio:
Será que gostaram?
Será que aprovaram?
Será que decepcionei?
Será que estou sendo mal interpretado?
Será que ainda sou aceito?
Essas perguntas podem parecer pequenas.
Mas, quando se tornam constantes, começam a governar decisões.
A pessoa escolhe menos pelo que compreende.
E mais pelo que imagina que será aceito.
Diz menos o que precisa dizer.
E mais o que acredita que evitará conflito.
Age menos pela própria consciência.
E mais pela tentativa de manter uma imagem favorável.
É assim que a autonomia emocional começa a se perder.
Não de uma vez.
Mas aos poucos.
Cada vez que a aprovação externa se torna mais importante do que a clareza interna.
Cada vez que o medo de desagradar fala mais alto do que a própria consciência.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 17 — Autonomia Emocional