Quando a Imagem de Si Começa a Cair
Grande parte da consciência nasce quando a imagem que a pessoa tem de si começa a ser questionada.
Não destruída.
Questionada.
A pessoa se vê de um jeito.
Mas suas atitudes mostram outra coisa.
Ela se considera livre por dentro, mas vive presa à aprovação.
Considera-se tranquila, mas reage com agressividade quando contrariada.
Considera-se forte, mas evita qualquer vulnerabilidade.
Considera-se responsável, mas foge da própria participação.
Considera-se madura, mas ainda precisa provar razão em tudo.
Esse confronto com a própria imagem é delicado.
Porque ninguém gosta de perceber incoerências em si.
Mas esse confronto é necessário.
A consciência verdadeira não existe para proteger uma imagem bonita.
Existe para revelar a verdade possível.
E a verdade possível, muitas vezes, começa quando a pessoa admite:
Talvez eu ainda não seja exatamente quem acredito ser.
Essa frase não é derrota.
É abertura.
Porque, enquanto a pessoa protege demais a própria imagem, não consegue enxergar o que precisa amadurecer.
Ela defende.
Justifica.
Explica.
Compara.
Minimiza.
Mas não olha.
E aquilo que não é olhado continua conduzindo.
As atitudes rompem esse mecanismo.
Elas mostram onde a autoimagem não coincide com a vida real.
Mostram onde o discurso está adiantado, mas o comportamento ainda está preso.
Mostram onde a pessoa já sabe falar sobre mudança, mas ainda tem dificuldade de se observar dentro dela.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 7 — O Que Suas Atitudes Revelam