A sobrecarga raramente começa de forma evidente
A sobrecarga raramente começa de forma evidente.
Ela se forma aos poucos.
Um compromisso assumido para evitar conflito.
Um silêncio mantido para não decepcionar.
Uma responsabilidade aceita para preservar a tranquilidade.
Uma culpa absorvida para não parecer egoísmo.
Um esforço repetido para provar que você dá conta.
Nenhum desses movimentos parece tão grave quando acontece isoladamente.
O problema está na repetição.
A pessoa vai cedendo espaço, ajustando a própria rotina, diminuindo suas necessidades, engolindo desconfortos, aceitando expectativas e tentando manter tudo funcionando.
Quando percebe, já está carregando mais do que deveria.
A sobrecarga se torna ainda mais difícil de perceber quando é elogiada.
Alguém diz que você é forte.
Que você aguenta.
Que você resolve.
Que você é equilibrado.
Que você sempre consegue.
Essas frases podem parecer reconhecimento, mas também podem reforçar uma prisão silenciosa:
a obrigação de continuar sendo aquele que suporta.
Com o tempo, a pessoa começa a ter medo de sair desse papel.
Medo de frustrar os outros.
Medo de ser vista como fria.
Medo de parecer egoísta.
Medo de perder o valor que recebeu justamente por carregar tanto.
Então continua.
Sustenta mais um pouco.
Silencia mais uma vez.
Absorve mais uma carga.
E vai tratando o próprio cansaço como se fosse parte natural da vida.
Mas o fato de algo ter se tornado normal não significa que seja saudável.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 12 — A Leveza Que Você Merece