O Peso das Expectativas Invisíveis
Quanto mais disponível você se mostra, mais expectativas começam a se formar ao seu redor.
As pessoas se acostumam.
Acostumam-se com sua resposta rápida.
Com sua ajuda constante.
Com sua presença previsível.
Com sua facilidade em aceitar.
Com sua tendência de resolver.
Com sua dificuldade de negar.
E, pouco a pouco, aquilo que antes parecia apenas uma atitude generosa começa a se transformar em expectativa.
Esperam que você esteja.
Esperam que você responda.
Esperam que você ajude.
Esperam que você resolva.
Esperam que você continue sendo a pessoa que sempre esteve disponível.
Essas expectativas nem sempre são declaradas.
Muitas são invisíveis.
Aparecem no tom de surpresa quando você diz não.
No silêncio desconfortável quando você não pode.
Na cobrança disfarçada de brincadeira.
Na reação de quem estranha sua nova postura.
Na sensação de que você quebrou um contrato que nunca foi claramente combinado.
Esse é o peso das expectativas invisíveis.
Elas se formam ao redor dos seus padrões repetidos.
Se você sempre aceitou, seu limite parece novidade.
Se sempre respondeu, sua pausa parece distância.
Se sempre ajudou, sua recusa parece frieza.
Se sempre esteve acessível, sua reorganização parece egoísmo.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 11 — O Fim da Disponibilidade Excessiva