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Acervo Visual · Volume I · Capítulo 21

O ato de recomeçar é uma soberania da alma, um decreto íntimo que não aguarda pela validação de ninguém.

O ato de recomeçar é uma soberania da alma, um decreto íntimo que não aguarda pela validação de ninguém.

Reflexão

Quantas vezes permanecemos parados, em um limbo autoimposto, aguardando um perdão que não chega ou um cenário ideal que nunca se materializa? A virada de chave ocorre quando a consciência se acende para uma verdade simples: o ponto de partida é um lugar interior. Ele não depende de circunstâncias externas ou do consentimento alheio. É um movimento silencioso, um acordo firmado consigo mesmo no tribunal da própria alma, onde reconhecemos que, apesar de tudo, o caminho à frente existe e nos pertence para ser trilhado.

Significado expandido

Podemos nos ver diante de um caminho que parece ter chegado ao seu fim, onde a trilha familiar se desfaz em vegetação densa. Olhamos para trás, para o percurso já feito, e para a frente, para o aparente bloqueio. É neste ponto de estagnação que muitas vezes ficamos, buscando um guia, uma mão que apareça para abrir passagem, uma voz externa que nos indique a direção. A espera pode ser longa e desoladora, pois se fundamenta na crença equivocada de que a continuidade depende de algo que não está em nosso controle. Contudo, o despertar da consciência nos convida a um olhar mais atento, não para o bloqueio, mas para as margens. É ali, quase imperceptível, que um novo traçado se insinua. A decisão de dar o primeiro passo nesse rumo é um ato puramente interno, uma escolha que não necessita de cerimônias ou da anuência de quem nos acompanhou até então. Não se pede licença para continuar a própria existência; simplesmente se assume a responsabilidade por ela e se caminha, reconhecendo que o direito de seguir adiante é inato. A verdadeira autoridade sobre nosso próximo passo reside no silêncio do mundo interior. É ali que declaramos, para nós mesmos, que o ciclo anterior se encerrou e que um novo capítulo tem a permissão – a nossa própria permissão – para ser escrito. Este não é um evento grandioso, mas a quieta e profunda compreensão de que a jornada continua, e somos nós que autorizamos seu início.

Biblioteca Visual · Volume I