Sobre fissuras e alicerces
Em nossa vida interior, o processo é análogo. O cansaço, a irritabilidade, a procrastinação — essas são as fissuras. A energia que empregamos para "consertar" nosso humor com distrações, para forçar a produtividade ou para mascarar nossa insatisfação é a massa corrida que aplicamos incessantemente. Estamos tão ocupados com o reparo estético que nos esquecemos de inspecionar os alicerces.
O verdadeiro trabalho de transformação convida a descer ao porão da nossa consciência. Exige a coragem de parar de remendar a superfície e perguntar: que crença instável, que medo não resolvido, que incongruência fundamental está causando esta tensão estrutural? A energia gasta em reparos intermináveis é a mesma que, se reinvestida, poderia fortalecer os alicerces. E uma vez que a base é sólida, a estrutura não apenas para de rachar, como se torna capaz de suportar novos andares.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 2 — O Peso da Repetição