Quando o Nosso Ritmo Desafina o Coro

A decisão de quebrar um padrão é um ato eminentemente pessoal, mas suas consequências ressoam para além de nós. As pessoas ao nosso redor estão acostumadas com a nossa antiga dança, com os passos que sempre demos em resposta aos estímulos de sempre. Quando decidimos mudar o ritmo, introduzimos uma nota inesperada na harmonia do grupo. O que para nós é alinhamento, para o outro pode soar como dissonância.

A verdadeira medida da nossa maturidade se revela nesse momento: a capacidade de sustentar nosso novo compasso mesmo quando ele desafina o coro. É o desafio de manter a firmeza sem se tornar rígido, de comunicar um limite sem o peso da acusação. A confusão do outro não nos pertence, ainda que nos afete. A responsabilidade é com a própria coerência, não com a gestão da percepção alheia.

Sustentar essa postura é um ato de silenciosa coragem. Não se trata de buscar o confronto ou a aprovação, mas de habitar a própria verdade com serenidade. Alguns aprenderão os novos passos da dança conosco; outros se afastarão em busca da melodia que já conheciam. Em ambos os casos, o movimento é de honestidade. A escolha de interromper um ciclo interno é também a escolha de se relacionar com o mundo a partir de um lugar de maior integridade, mesmo que isso signifique dançar sozinho por um tempo.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 2 — O Peso da Repetição

Compartilhe esta reflexão