Quando o medo de errar projeta uma vida menor.

A culpa não resolvida, atrelada ao medo de perder valor, torna-se a arquiteta de um futuro restrito. É uma força invisível que desenha cômodos menores para as nossas ambições, tetos mais baixos para os nossos sonhos e corredores mais estreitos para as nossas relações. Passamos a escolher caminhos não com base no que desejamos, mas no que parece mais seguro, no que oferece menor risco de exposição e falha.

Essa autolimitação disfarça-se de virtude. Apresenta-se como 'prudência', 'realismo' ou 'humildade'. Dizemos a nós mesmos que estamos a ser sensatos ao não voar tão alto, ao não nos entregarmos por completo, quando, na verdade, estamos a ser governados pela memória de um erro passado e pelo pavor de revisitar a sensação de desvalorização que o acompanhou.

Reapropriar-se do futuro exige desmantelar essa arquitetura do medo. É a decisão consciente de escolher a curiosidade em vez da cautela, a expansão em vez da segurança. É compreender que a dignidade que tentamos preservar ao evitar o erro é, ironicamente, forjada no ato de enfrentá-lo, aprender com ele e ousar tentar de novo, mesmo que com as mãos ainda trémulas. Uma vida sem a possibilidade do fracasso é uma vida sem a matéria-prima do crescimento.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 3 — A Ilusão da Culpa

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