Quando o Espelho Deixa de Ser Palco

Antes, o olhar sobre si era um ato de curadoria para o mundo. Olhávamos para nós mesmos por partes, inspecionando o que deveria ser mostrado e o que precisava ser ocultado. Era um olhar utilitário, de quem ajusta uma fachada antes de receber visitas, sempre preocupado com a impressão externa, com a coerência do personagem que se desejava projetar. Um olhar que não buscava a verdade, mas a aprovação.

O amadurecimento que define a evolução interior modifica a natureza desse gesto. O olhar se torna menos fragmentado, menos ansioso. Deixa de ser a ferramenta do crítico que busca falhas para a plateia e se transforma na presença silenciosa de quem apenas testemunha. Não se olha mais para construir uma imagem, mas para reconhecer um lugar. Um lugar com suas texturas, suas luzes e suas sombras, onde finalmente é possível simplesmente estar, sem a exigência contínua da representação. Essa é a paz que se encontra no âmago da evolução interior: a permissão para ser, sem a necessidade de parecer.

Extraído de

Volume III — Evolução Interior

Capítulo 18 — A Paz de Estar em Paz Consigo Mesmo