Quando a Resposta Silencia a Queixa
Enquanto a responsabilidade não é assumida, a vida é uma narrativa de queixas. O outro que invadiu, o contexto que não ajudou, a demanda que foi injusta. A energia se esvai em detalhar a ofensa, mapeando as falhas alheias. É um lugar de aparente abrigo onde a culpa nunca nos pertence, mas o custo é a própria soberania. A queixa nos mantém esperando que o mundo mude para que tenhamos paz. O ponto de virada é sutil. Não é um grito, mas uma mudança de foco. A pergunta deixa de ser “Por que fazem isso comigo?” e se torna “O que farei a respeito?”. Responder, neste sentido, é um ato de autoria. É ocupar o próprio centro e traçar um limite, não para punir o outro, mas para honrar a si. É a transição do papel de vítima para o de agente da própria integridade. Nesse instante, a vida para de acontecer a nós e começa a ser respondida por nós.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 3 — Limite Não É Agressão