Para Além do Reflexo Emocional

Grande parte da vida se desenrola no piloto automático de nossas reações. Diante de uma opinião, um gesto ou um silêncio, um mecanismo antigo é acionado, e respondemos como sempre fizemos: buscando agradar, nos defendendo ou nos fechando. Essas respostas são hábitos, não escolhas. São ecos de um passado que aprendeu que a sobrevivência emocional dependia de uma certa performance. Vivemos, assim, à mercê do que nos acontece, como um barco sem leme levado pelas correntes externas.

Assumir a autoria da própria trajetória emocional é um ato de interrupção. É a decisão de criar um mínimo espaço entre o estímulo e a nossa resposta. Nesse breve silêncio, a reação habitual pode ser observada, mas não seguida cegamente. É ali, nesse instante de quietude, que a escolha se torna possível. Não a escolha de não sentir, mas a escolha de como se portar com o que se sente. É o momento em que a responsabilidade amadurece e perguntamos: quem eu quero ser, para além deste reflexo condicionado?

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 17 — Autonomia Emocional