Os fantasmas que alimentamos no silêncio

Essas manifestações são os fantasmas da dor original, assombrando o presente com uma força que não compreendemos. Reagimos não ao que está diante de nós, mas ao eco daquilo que fingimos não ter escutado. É um ciclo de autossabotagem velada, onde nos tornamos reféns de uma história que nos recusamos a ler. Vivemos em alerta, defendendo-nos de ameaças que não existem mais, porque a verdadeira ameaça nunca foi enfrentada — apenas trancada por dentro.

Reconhecer não é reviver o sofrimento, mas olhar para esse fantasma e admitir sua origem. É dar-lhe um nome e um lugar no tempo. Só então ele para de vagar pelos corredores da nossa vida, exigindo atenção de maneiras tortuosas. A verdadeira libertação não está em esquecer, mas em compreender que o que nos assombra só tem o poder que nossa negação lhe concede.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 5 — Dor Não É Identidade