Os alicerces de uma mesma parede

Frequentemente, nos encontramos diante da mesma parede, embora em paisagens distintas. Acreditamos ter demolido a construção anterior, mas o obstáculo ressurge, com outra textura, outra cor, sob outro céu. Culpamos o terreno, o material novo, o arquiteto da vez. Raramente questionamos os alicerces que nós mesmos, sem perceber, carregamos para cada nova obra.

Essa fundação invisível é a lógica interna que o texto menciona. É a soma de nossas crenças não examinadas, nossos medos silenciados e nossas necessidades não comunicadas. Ela dita a forma como a estrutura irá subir, independentemente dos elementos externos. Mudar de emprego, de cidade ou de relacionamento sem revisar essa planta baixa é apenas um convite para que o mesmo desenho se repita, com outros nomes a assiná-lo.

A verdadeira maturidade não está em se tornar um perito em demolições, mas um consciente arquiteto de si. Consiste em pausar antes de assentar o primeiro tijolo e ter a coragem de inspecionar o próprio alicerce. O que sustenta minhas escolhas? Qual medo antigo está a ditar a altura deste muro? Reconhecer essa engenharia interna é o primeiro passo para construir, finalmente, um espaço aberto, em vez de uma nova prisão com uma vista diferente.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 2 — O Peso da Repetição

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