O solo de onde brotam as repetições

Por isso, transplantar a vida para um novo jardim externo — uma nova rotina, um círculo social diferente — raramente é suficiente. Levamos nosso solo conosco. As sementes das mesmas inseguranças, da mesma necessidade de controle ou da mesma dificuldade em dizer não, encontram no terreno familiar de nossa estrutura interna as condições ideais para brotar novamente. O alívio inicial do novo cenário se dissipa à medida que percebemos a mesma vegetação de antes tomando conta da paisagem.

A verdadeira jardinagem é interior. Consiste em observar, sem julgamento, a composição desse solo. O que o nutre? O que o empobrece? Qual crença funciona como uma erva daninha, sufocando novas possibilidades? Cultivar a si mesmo é um trabalho de paciência, de revolver a terra com a auto-observação, de adubá-la com novas perspectivas e de, gentilmente, arrancar as raízes antigas que já não dão os frutos que desejamos colher. A liberdade não está em encontrar um jardim perfeito, mas em aprender a cultivar o seu próprio.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 1 — O Começo É Interno