O Silêncio Que Devolve a Autoria

Existe uma vida inteira contida no intervalo entre o estímulo e a nossa resposta. É um território que, por hábito, atravessamos sem perceber, movidos por um automatismo que confunde reação com presença. Reagir é executar um roteiro antigo, uma resposta programada pela urgência, pelo orgulho ou pela ferida. Não há autoria nesse gesto; há apenas o eco de algo que nos foi feito. A ação é do outro; a nossa é só a consequência imediata e, muitas vezes, irrefletida.

Assumir a responsabilidade por esse intervalo é o início da maturidade. É nele que a escolha se torna possível. Não como um grande ato heroico, mas como uma pausa silenciosa onde se indaga: o que esta situação realmente pede de mim? Às vezes, a resposta é o recolhimento. Outras, uma ação ponderada. Em todas elas, o que se resgata é a própria agência. Deixamos de ser o efeito de uma provocação para nos tornarmos a causa do nosso posicionamento ou da nossa paz.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 8 — Silêncio Estratégico