O Silêncio que Acolhe o Ruído
Confundimos a paz com o silêncio externo, com a ausência de atritos. A evolução interior, no entanto, não nos guia a um refúgio, mas a um marco fundamental: o fim da cisão interna. É o encerramento da performance contínua que nos esgota, a lenta desistência de sustentar personagens que já não nos servem, apenas para caber em espaços que nos diminuem.
Essa paz, um dos frutos maduros da evolução interior, manifesta-se como uma respiração que encontra seu ritmo, um corpo que deixa de se armar para a próxima cena. Não é um estado de euforia, mas um assentamento profundo. A coerência entre o que se sente e o que se vive — uma conquista desse processo evolutivo — dissolve a tensão crônica, permitindo que a vida simplesmente aconteça através de nós, sem a necessidade constante de filtragem ou representação. É a quietude de, finalmente, estar em si.
Extraído de
Volume III — Evolução Interior
Capítulo 18 — A Paz de Estar em Paz Consigo Mesmo