O Silêncio Depois da Última Justificativa

Enquanto a mente busca um culpado — a circunstância, o outro, o passado —, ela se ocupa de uma história que a isenta do peso da escolha. Nesse enredo, a vida é algo que acontece *a* nós, e não *a partir* de nós. É uma posição que parece protetora, mas que aprisiona a pessoa na periferia da própria existência, aguardando uma reparação que raramente chega. A energia é gasta em justificar o lugar onde se está, em vez de assumir a direção para onde se pode ir.

O ponto de virada é sutil. É o instante em que o eco das acusações se torna mais cansativo do que a responsabilidade de responder. Quando a pergunta deixa de ser “quem me colocou aqui?” e se transforma em “o que eu faço a partir daqui?”. Nesse momento, a renúncia se revela como um verdadeiro ato de liberdade. Renunciar à narrativa de vítima, renunciar à espera por justiça externa, renunciar às outras vidas que não serão vividas para, enfim, poder escolher uma e responder por ela. Assumir a autoria, mesmo que o primeiro capítulo não tenha sido escrito por nós.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 5 — Escolher É Renunciar