O Silêncio Depois da Culpa
O eco da culpa se dissipa não com um estrondo, mas com um silêncio atento. É o instante em que a busca por um responsável externo cede lugar a uma pergunta interna, mais quieta e potente: o que farei com a minha parte nisso? Nesse ponto, a narrativa de vítima perde força. A responsabilidade deixa de ser um peso e se revela como o único leme realmente disponível, um poder sóbrio que não depende da mudança do outro, mas da própria decisão de assumir o seu lugar no encadeamento dos fatos.
A partir daí, os afastamentos tornam-se menos sobre o outro e mais sobre a própria coerência. Não são punições, mas o resultado natural de uma geometria relacional que se altera porque um de seus pontos se moveu. Algumas dinâmicas simplesmente não se sustentam quando a peça da complacência, da submissão ou da culpa é retirada do jogo. Assumir o fio da própria vida é também aceitar que alguns nós, para serem desfeitos, precisam que as pontas se distanciem.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 7 — Afastamentos Necessários