O Silêncio de Quem Assume o Custo
Existe uma insistência infantil em encontrar um responsável externo para o desconforto que acompanha uma escolha. Culpamos a vida, o tempo, o outro, como se a dor da renúncia fosse uma injustiça imposta de fora. Nesse estado, a pessoa se sente vítima não apenas das circunstâncias, mas da sua própria decisão, como se não fosse ela a autora do movimento. Reclama do caminho que abandonou, lamenta a porta que se fechou, e terceiriza a responsabilidade pelo vazio que, na verdade, é apenas o espaço necessário para o novo se assentar.
A mudança para a vida adulta, no entanto, acontece em silêncio. Acontece quando a busca por culpados cessa. A dor da renúncia não desaparece, mas ela é repatriada. Deixa de ser um ataque do mundo e passa a ser reconhecida como o custo inerente à liberdade de escolher. É o momento em que a pessoa acolhe o peso da sua decisão sem buscar alívio na queixa. Ela entende que aquela dor é sua, faz parte do seu caminho, e é o selo de autenticidade da escolha que fez. Não há mais barulho, apenas a presença sóbria de quem responde por si.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 5 — Escolher É Renunciar