O silêncio antes da própria resposta

Enquanto a mente busca um responsável fora, a vida interior permanece em suspenso. A narrativa da culpa — dirigida ao outro, ao passado, às circunstâncias — é uma defesa que, com o tempo, revela-se uma prisão. Ela nos ocupa, oferece uma causa aparente para o nosso desconforto, mas nos impede de reconhecer a nossa própria agência no meio do cenário. Viver nesse lugar é esperar que a paisagem mude sem mover os próprios pés.

O ponto de virada não é um ato audacioso, mas um esgotamento silencioso. É quando a alma se cansa de narrar a mesma história e, no vazio que se instala, uma nova pergunta emerge. A questão deixa de ser um dedo que aponta e torna-se um espelho que reflete: o que farei com isso? Nesse instante, a responsabilidade deixa de ser um fardo e se revela como a única estrada possível. É o início da coerência, a primeira escolha que começa a alinhar o que se sabe com o que se vive.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 15 — Coerência Interna