O que Você Alimenta Cresce
Existe uma torneira que pinga no silêncio da casa. No início, um som distante, ignorado pelo movimento do dia. Mas na quietude, ele emerge. Primeiro, um incômodo. Depois, um ponto de foco. A mente, sem se dar conta, começa a esperar pela próxima gota. Aquele som, antes externo, passa a ecoar por dentro, alimentado pela escuta.
Assim são certas inquietações, medos ou ressentimentos. Permanecem como um ruído de fundo até que nossa atenção os convide para o centro do palco. Ao nutri-los com repetição e foco, damos-lhes a força que antes não possuíam. O gotejar vira a pulsação de uma angústia que aprendeu a morar em nós. A evolução interior se inicia justamente aqui: na tomada de consciência de que somos nós que afinamos o instrumento da nossa atenção. Perceber esse mecanismo é o primeiro passo para escolher uma nova partitura. Não se trata de negar o gotejar — ele existe —, mas de deliberadamente direcionar a escuta. Nesse ato de redirecionamento consciente reside o poder de modular nosso universo interno, definindo, a cada instante, o que de fato cresce em nós.
Extraído de
Volume III — Evolução Interior
Capítulo 8 — O Que Você Alimenta Cresce