O Ponto Onde a Queixa Cessa
Enquanto a responsabilidade é projetada para fora — no tempo, nos outros, nas circunstâncias —, a vida se torna um roteiro escrito por terceiros. A dor da decisão é então anestesiada pela narrativa da queixa, um lugar onde não se escolhe, apenas se reage. Nesse espaço, somos personagens secundários da própria história, aguardando que o cenário mude sozinho ou que uma força externa resolva o impasse que nos paralisa.
Assumir a autoria é o movimento contrário. Não é um ato de poder, mas de lucidez. É o instante em que se para de narrar o que nos fizeram e se começa a responder pelo que faremos a partir de agora. A renúncia, antes evitada, é finalmente olhada de frente, não como uma perda, mas como o custo da direção. É aí que a maturidade se revela: na coragem de ser o único responsável pelo próprio caminho.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 4 — Decisão Também Dói